Lá no Norte de Minas Gerais existe um lugar com uma riqueza cultural muito grande e que vale a pena conhecer. O Vale do Jequitinhonha é uma região cheia de história e muitos contrastes. Lembrada apenas por sua pobreza, é importante falar que o Jequi é muito mais que isso: é cultura popular, tradição, turismo, gastronomia, natureza exuberante. É o Brasil genuíno com pessoas genuínas.

A origem do nome Jequitinhonha

Banhado pelo rio Jequitinhonha e seus afluentes, reza a lenda que o nome da região foi originado dos índios que habitavam o Vale. “Jequi” era um tipo de armadilha para pegar peixes, que também eram conhecidos como “onhas”. Segundo essa lenda local, o índio armava o jequi no rio pelo entardecer e, na manhã seguinte, falava para o filho: “Vai menino, vai ver se no jequi tem onha”. E tinha.

“Conta, canta contador, 
Conta a história que eu pedi
Dizem que o Jequi tem onha,
Conta as onhas do jequi”

O período das riquezas de Jequitinhonha

Esses são os versos da música do poeta Gonzaga Medeiros, que reconta a história do Vale. História, essa, muito interessante e similar à formação socioeconômica do estado de Minas Gerais, quando o povoamento começou quase ao mesmo tempo no século XVII, no ciclo do ouro, e consolidou-se um século depois, no ciclo do diamante atraindo muita gente à região.

Ao mesmo tempo que a extração do ouro e diamante acelerou o processo de povoamento e urbanização, os problemas de abastecimento alimentício, por exemplo, ficaram evidentes após este ciclo. Isto trouxe uma imagem negativa da região, lembrada apenas pelos problemas sociais e sua pobreza extrema.

O ouro e diamantes que levavam as pessoas até Minas Gerais e ao Vale do Jequitinhonha, hoje não existem mais. Porém existem muitas coisas que podem te atrair e convencer a conhecer esse lugar único, cheio de contrastes e, rico. Afinal, o significado de riqueza pode variar, não é mesmo? Não estamos falando de riqueza monetária. Mas a riqueza humana. Aquela de valores culturais, pluralidade, da beleza natural da região e força de um povo guerreiro com vontade de contar a sua história.

Influência indígena manifestada na cultura e nas artes

Com muita influência indígena, a começar pelo seu nome, o Vale do Jequitinhonha é um verdadeiro celeiro inventivo e artístico bem peculiar no Brasil. Trabalhos em couro, bordados, desenhos, tecelagem, música, pintura, esculturas em madeiras, e claro, o artesanato em cerâmica são algumas das marcas da região, passados de geração em geração pelas mestres artesãs.

Todo esse trabalho artístico, além de resgatar e reforçar a identidade local, contribui diretamente para fomentar a economia local. A venda dos artesanatos é a principal fonte de renda para muitas famílias e as peças possuem uma característica singular.

Povo forte e mulheres cheias de histórias para contar

Na região do Vale do Jequitinhonha são as mulheres que estão na linha de frente. Devido à migração dos maridos para as grandes cidades, elas foram batizadas de “viúvas da seca”. A elas cabe gerar o sustento através da agricultura de subsistência, artesanato e, desde há pouco tempo, do turismo de base comunitária, que contribui para o desenvolvimento das comunidades.

Tipicamente mineiras, as comunidades do Vale do Jequi têm aquele aspecto hospitaleiro, a timidez, o sorriso no rosto e a simpatia de quem sempre tem um “causo” para contar. E como vale a pena ouvir os “causos” e trocar experiências!

Sabores e saberes tipicamente mineiros

Ah, a comida mineira é demais, né? Quitutes e docinhos, pão de queijo em abundância, mas não para por aí. Sob as mãos das cozinheiras mineiras os pratos levam ingredientes típicos da época em que são produzidos e da região como um todo, com influência de outros estados como Mato Grosso, Goiás e Bahia, trazendo, também, elementos em comum com a culinária do Centro Oeste e nordestina.

Você conhecia este Vale do Jequitinhonha?

Muitas coisas se escondem por lá e podem ser reveladas ao caminhar sob o céu estrelado e as ruas de paralelepípedo, – como paisagens bucólica ao redor dos 80 municípios da região – ouvindo o crilar dos grilos, o canto dos pássaros, o sotaque “minerin” das pessoas e por aí vai. Venha conhecer o Vale do Jequitinhonha!

Fonte: Vivejar – Viver com satisfação